Publicada em 24/05/2009 às 23h39m (O Globo)
RIO - A alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos primeiros meses do ano, em meio à crise financeira mundial, criou uma distorção no mercado de ações - que a qualquer hora pode mudar, causando prejuízo aos investidores. Sem lucros ou expectativas de lucros consistentes em 2009 ou 2010 - e sem motivo claro para a valorização recente das ações -, os papéis negociados na Bolsa brasileira agora são considerados caros pelos números, segundo analistas. É o que informa a reportagem de Felipe Frisch, publicada na edição do GLOBO desta segunda-feira.
O indicador que aponta isso é a relação entre preço e lucro das ações, que o mercado chama de P/L. Ele é um dos chamados múltiplos, que medem a relação entre dois números da companhia para avaliar se a ação dela está cara ou barata. O P/L divide o preço do papel no mercado pelo lucro por ação da empresa nos últimos 12 meses. O resultado da conta mostra quanto tempo, em anos, o investidor precisará ficar com a ação para, em tese, reaver o investimento apenas por meio do lucro da companhia, e não pela sua valorização. Isso, se o lucro for totalmente distribuído aos acionistas, o que não acontece na prática.
Pela conta, no ano passado o investidor precisaria, em média, de sete anos para obter retorno com as ações que compõem o Índice Bovespa (Ibovespa), as principais da Bolsa. Hoje, o investidor pode levar 21 (20,97) anos pelos mesmos critérios, considerando os preços atuais dos papéis e os lucros que vêm sendo divulgados pelas empresas. Trata-se da relação preço/lucro mais elevada para a Bolsa brasileira dos últimos anos, mesmo nos de euforia.
Para se ter uma ideia, em maio do ano passado, quando o Ibovespa estava em sua maior pontuação histórica - aos 73.516 pontos, após o Brasil receber a nota de grau de investimento de duas agências de classificação de risco -, o P/L da bolsa brasileira era de 17. Ou seja, o investidor levaria 17 anos, quatro a menos do que atualmente, para obter o retorno por meio dos resultados da empresa.
Os números também chamam atenção quando comparados aos de outros mercados. O P/L da Bolsa brasileira já é superior ao da americana e ao da francesa. O P/L do índice Dow Jones, de Nova York, é de 20,50. O da Bolsa de Paris é 11,39. Historicamente, a Bovespa tem uma relação preço/lucro inferior à destas bolsas.
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